arKipélago 2.0

2009/06/30

descriminalização da militância partidária

Arquivado em: Democracia — Paulo Ribeiro @ 22:19

revolucao_francesa_juramentoA ligação entre eleitos e eleitores é um tema recorrente quando se fala da credibilidade do sistema político. É recorrente, mas não é assunto em que se perca muito tempo a discutir e a encontrar medidas para combater este fosso entre duas das partes que constituem o modelo político por nós adoptado.

De quando em vez, aparecem propostas como a criação de círculos uninominais ou a criação de eleições primárias, aparentemente ao jeito norte-americano, para garantir que os candidatos são previamente seleccionados pelos cidadãos e não constituam um capricho de escolha dos demónios e bodes-espiatórios de todo o sistema: os partidos políticos.

 A criação da imagem de que os partidos políticos constituem os bichos-papões da democracia é algo que tem vindo a ser cultivado ao longo dos anos como forma de desacreditar o sistema e de promover “movimentos” e outros partidos que procuram protagonismo. Normalmente, à custa da crucificação dos grandes, os pequenos, que também são partidos e que têm formas menos ortodoxas de escolherem os seus representantes, crescem.

É inimaginável uma democracia sem partidos políticos!

Por outro lado, o novo paradigma que determina que uma boa lista tem que ser constituída pelo maior número possível de independentes tem feito com que os “dependentes”, isto é, os militantes dos partidos passem a ser vistos como aberrações sociais. Aliás, na sociedade açoriana, qualquer tipo de assumpção, quer seja política, religiosa ou sexual, é vista quase como sinónimo de perturbação mental.

Esta defesa constante da integração de independentes, só por o serem, como sinal de abertura dos partidos é perigosa. Não o seria se os cidadãos visados que integram listas fossem exclusivamente pessoas que constituíssem uma mais-valia para os próprios partidos e para a sociedade, quer ao nível estritamente político, quer ao nível técnico, quer a ambos os níveis, o que seria ouro sobre azul.

No entanto, não é isso o que geralmente acontece. Integram-se independentes para se dizer que o partido é aberto. Pessoas que não acrescentam nada em termos políticos ou técnicos. Pessoas que têm como única missão aparecerem nas fotografias para se poder dizer que se abriu o partido à chamada sociedade civil. Veja-se o que aconteceu nas últimas eleições regionais. Grande percentagem de independentes eleitos cujos nomes não conhecemos, cujas caras não conhecemos e que nada, mesmo nada, acrescentam ao sistema e aos Açores.

É isto que desacredita o sistema.

É isto que faz com que as pessoas fiquem em casa e não queiram votar.

É isto que faz com que as pessoas digam que “estão lá para se encherem”.

Ser militante de um partido político não pode ser visto como um acto quase criminoso. Deve ser acarinhado e apoiado. Devia constituir a regra e não a excepção aberrante. Contrariamente às aparências, nos Açores fazem-se eleições primárias, em Portugal realizam-se eleições primárias. Não têm, no entanto, o impacto e o peso das americanas, precisamente porque a militância é baixa em termos numéricos. Em Portugal, tal como nos Estados Unidos, quem escolhe os candidatos são os militantes ou inscritos nos partidos.

Desengane-se aquele que pensa que qualquer americano vota nas eleições primárias, tal como pode votar nas eleições “normais”. É preciso estar inscrito no partido, tal como cá. As eleições directas que se realizam em Portugal não são mais do que eleições primárias. Teriam outra dimensão se os partidos tivessem mais militantes e se os militantes participassem ainda mais.

É por isto tudo que penso que a cultura do “independente” pode ser perigosa para o nosso sistema político. Aos independentes que, apesar de integrarem listas de candidatos ou governos, está vedada a escolha dos líderes e demais dirigentes dos partidos. O nosso sistema só ganha se aprofundarmos a vivência político-partidária. É dentro destas estruturas que se definem estratégias, que se definem ideias, que se traçam objectivos e que discute o nosso futuro comum.

O combate à abstenção passa, também, por “descriminalizar” a actividade partidária. Ser militante de um partido político, seja ele qual for, é uma das mais nobres formas de exercício de cidadania e de serviço à democracia.

Por isso, não tenham medo de se filiarem num partido político. Não é nenhuma vergonha, não é crime, não é pecado, mas permite que possam escolher, primeiro do que os outros todos, os homens e as mulheres que conduzirão os nossos destinos.

Eu sei que é mais fácil ficar do lado de fora a criticar…

2009/06/20

regional socialismo

Arquivado em: Democracia — Paulo Ribeiro @ 14:15

Se dúvidas alguém ainda as tivesse sobre a forma como Carlos César e o Partido Socialista vêm os Açores, rapidamente as clarificaram depois da sua intervenção na apresentação da recandidatura rosa à Câmara da Praia.

Dias depois de ter chamado estúpidos a todos os açorianos – e foram mais de 180000 – que, em consciência, optaram por não ir votar nas últimas eleições europeias, Carlos César identificou os concelhos da ilha Terceira nos seguintes termos: “havia Angra e mais um concelho”.

Grave! O senhor presidente do governo está decididamente a ficar muito nervoso com o aproximar-se da sua inevitável saída e com a consequente perda de poder.

Aliás, após estas duas infelizes declarações, os açorianos passaram a ter mais dois instrumentos que confirmam a tese de que, para César, só o poder interessa e a busca pelo partido único é um fim em si mesma, não percebendo, ou não querendo perceber, que, com isso, está a prestar um péssimo serviço à democracia e aos Açores.

Para este governo, existem os do partido e existem os outros. Por outras palavras, quem não seguir a doutrina do chefe está lixado!

Pelo menos, é este o tipo de chantagem que Carlos César faz com os eleitores que ele vê como “estúpidos”. Os tais que só o são quando não votam nele. No entanto, César subestima o Povo Açoriano que ele deixou cair. Os açorianos sabem em quem votam, quando votam e porque votam. Sabem que não é pelo simples facto de o partido da Câmara ser o mesmo do partido do Governo que as coisas serão melhores. Veja-se o exemplo de Angra que está mergulhada num fosso de dívidas e que não vê investimentos estruturantes há muito tempo. Não faltam os anúncios, mas para isso não é preciso dinheiro, bastam meia dúzia de bonecos e umas palavras bonitas. Vejam-se também os concelhos da Horta ou Vila do Porto… Serem socialistas não lhes trouxe grandes vantagens. Pelo contrário, são concelhos estagnados e parados no tempo. Valham-lhes as pessoas que lá vivem, autênticos resistentes, que teimam em mantê-los vivos e com a dinâmica possível. Por outro lado, existem aqueles concelhos que não são rosa e que não é por isso que deixam de crescer. Ponta Delgada é obviamente a referência. Mas quem não se lembra o que era a Praia da Vitória antes do PSD e naquilo que se tornou após a sua gestão.

César quer transformar os Açores numa região onde existe uma doutrina oficial com um partido único. Uma região onde é preciso parecer-se socialista para que se consiga ter ou ser alguma coisa. Uma região onde o regime controla tudo e despreza quem a ele se opõe. A isto não se pode chamar democracia e muito menos liberdade. A isto podemos chamar embrião de uma espécie de regional socialismo onde é crime ser-se oposição e onde é crime não estar subjugado aos ditames e à doutrina oficial.

Se a César o que é de César, aos Açores o que é dos Açores. Honremos a nossa divisa: “antes morrer livres que em paz sujeitos”.

2009/06/18

A Praia que TODOS somos

Arquivado em: Autárquicas 2009, Berto Cabral, Praia da Vitória — Paulo Ribeiro @ 0:36

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O concelho da Praia precisa libertar-se das amarras do poder e entregar-se de novo àqueles que o construíram, que fazem dele aquilo que é e o querem bem. Tão simples quanto isto.

A Praia precisa recuperar o orgulho da Vitória que conquistou contra o poder absoluto de D. Miguel e regressar ao caminho da liberdade, da determinação, da iniciativa e do olhar o próximo como um igual e não como alguém que tenha que ser controlado.

A Praia da Vitória precisa de cidadãos livres que não se sintam obrigados a aparecer no auditório A ou B, a erguer uma bandeira só porque sim e a ter que pousar para uma fotografia a cumprimentar o senhor doutor C ou D só porque este dirige uma instituição que pode dar um emprego ou um apoio com dinheiro que não é seu.

A Praia da Vitória, aquela Praia que todos somos precisa de alguém que se entregue a ela de corpo e alma com o único objectivo de a querer servir e não servir-se dela.

Na Praia é preciso fazer diferente.

É preciso ter alguém que se faça ouvir, mesmo que isso incomode o seu próprio partido, mesmo que isso contrarie a agenda oficial do poder todo-poderoso.

A Praia da Vitória não pode ficar impávida e serena a ver as coisas acontecerem e nada dizer e nada fazer. A fazer-de-conta que não é nada com ela. A fazer-de-conta que não nos vão o único avião da SATA que estava estacionado no Aeroporto das Lajes. A fazer-de-conta que as obras da Via Rápida decorrem da melhor forma, no prazo previsto e que não provocam constrangimentos aos habitantes do concelho. A fazer-de-conta que não sabem que o Governo Regional pretende construir um Cais de Cruzeiros em Angra do Heroísmo, depois de todo o investimento que foi feito na recuperação do seu porto da Praia. A fazer-de-conta que o porto de pescas não está praticamente abandonado.

Na Praia é preciso fazer diferente.

Fazer diferente é, acima de tudo, respeitar as pessoas, os seus postos de trabalho e a sua dignidade. É não usar as pessoas como bonecos ou cobaias. É não usar as pessoas para que as fotografias fiquem compostas. É não brincar com as suas carreiras e as suas vidas. É dar-lhes espaço e liberdade de expressão, de opinião e de associação. É tratá-las todas por igual, independentemente das suas opções e vontades políticas.

Fazer diferente é tratar as pessoas como seres humanos e não como meros objectos que se podem comprar ou vender, usar e deitar fora.

Fazer diferente é ser diferente. Berto Cabral é diferente. Berto Cabral fará diferente.

2009/06/17

JS prolongamento

Arquivado em: Juventude — Paulo Ribeiro @ 16:12

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A Juventude Socialista fez-se ouvir esta manhã no parlamento regional pela voz do deputado Berto Messias. O recentemente reeleito presidente da JS-Açores transformou os minutos em que subiu à tribuna num prolongamento do congresso desta juventude partidária que se realizou em Angra no passado fim-de-semana. Numa postura de modéstia duvidosa, Berto Messias chega ao ponto de fazer apreciações políticas à moção que escreveu, só faltando pedir aos parlamentares que a ratificassem.

Compreensível. Para o PS, Parlamento, partido e Governo é tudo a mesma coisa. Têm dificuldades em separar as águas, onde as há para separar!

Em todo o caso, são feitas propostas válidas dirigidas à juventude açoriana. Propostas que seria bom haver um Governo que as quisesse implementar. Berto Messias apresenta-as como se estivéssemos num início de ciclo governativo onde tudo era novo e não tivesse havido tempo para as fazer.

Porém, estamos no fim do ciclo PS. O Governo é o mesmo há treze anos, as políticas são as mesmas e os políticos também. Mesmo os mais novos, que se limitaram a mudar de cadeira. Por isso, não é sério querer fazer-se passar pelo porta-voz dos jovens de chinelos, de madeixas ou de papo cheio, a dar um ar de irreverência e indignação, e depois ser um fiel e cego seguidor e defensor de um líder e de um Governo que faz precisamente o contrário.

É preocupante esta postura de faz-de-conta que sou do contra, esta atitude de não era isso que eu queria dizer. Mais preocupante ainda vindo de onde vem. Dos mais novos. Dos jovens onde se esperava irreverência, independência e não submissão.

2009/06/16

não fui eu

Arquivado em: Democracia — Paulo Ribeiro @ 19:55

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Para o presidente do PS-Açores e presidente do Governo Regional, a abstenção registada nas últimas eleições europeias é “estúpida”. Aliás, César vai mais longe e diz que “é estúpido deixar que os outros decidam sobre todas as questões que nos dizem respeito”. Com isto, César considera que as pessoas não foram votar por pura estupidez. Para César, 80% dos açorianos são estúpidos.

É curiosa esta apreciação. César só a faz quando sofre uma grande derrota. Se considerarmos que uma grande fatia dos abstencionistas das europeias votou César nas últimas Regionais, César classifica de “estúpidos” aqueles que o elegeram. Para César, é uma estupidez votar César.

Não fui eu que o disse.

2009/06/14

de Corpo e Alma pela Praia

Arquivado em: Autárquicas 2009, Praia da Vitória — Paulo Ribeiro @ 13:00

bertoAmanhã, 15 de Junho, será o dia da apresentação pública da candidatura de Berto Cabral à presidência Câmara Municipal da Praia da Vitória.

O concelho da Praia da Vitória é o quarto concelho mais populoso da Região e aquele que, pela sua importância militar, projecta internacionalmente os Açores e, porque não, Portugal, constituindo um importante activo nas relações entre o nosso país e os Estados Unidos da América. É aqui que o Velho e o Novo Continente unem as mãos na condução da nossa Civilização rumo ao progresso e ao desenvolvimento.

O concelho da Praia orgulha-se do seu passado. Um passado glorioso, de liberdade e de conquista que lhe mudaram o nome. A Praia tornou-se da Vitória ao repudiar e ao vencer o poder absoluto que procurava dominar a então Vila. A Praia arriscou e ousou ir contra o poder que dominava o país e os Açores e fez diferente. Arriscou e ganhou!

Amanhã, no Centro Social do Juncal, a Praia da Vitória vai voltar a respirar diferença. A Praia vai voltar a ter um projecto que a reponha no caminho do progresso e do desenvolvimento. Com coragem, determinação, responsabilidade e, acima de tudo, com o sentido de serviço aos seus concidadãos, o PSD vai apresentar o candidato que reúne todas estas características. Berto Cabral é o homem que, com toda a sua equipa, vai romper com o poder absoluto, com o controlo da sociedade e com esta forma de gerir os destinos do município que hipoteca o futuro para tentar perpetuar o poder e a teia de favores e de mercês que mais não fazem do que fomentar a estagnação e a manutenção de dependências políticas.

O PSD é diferente e vai fazer diferente.

Berto Cabral vai devolver à Praia o sentido da Vitória. Vai devolver à Praia o orgulho de se ser praiense e de se querer viver em cada uma das suas onze freguesias. O PSD e Berto Cabral vão lutar contra o poder instituído sempre que os interesses da Praia sejam postos em causa. Berto Cabral vai fazer tudo para que não se condenem à morte freguesias e instituições sem que, no entanto, queira ser dono delas. O PSD e Berto Cabral vão cooperar com o Governo Regional sempre que a Praia precisar. Sempre que se queiram construir escolas, sempre que se queira dinamizar o porto, sempre que se queiram implementar medidas que fomentem a fixação de população e o desenvolvimento do comércio tradicional e da indústria.

Berto Cabral é o rosto que representa a renovação do PSD/Praia desenvolvida ao longo dos últimos três anos. Um PSD com ideias novas, com um novo projecto, com novos rostos, mas que honra a sua matriz ideológica e o seu passado construtor da Autonomia e do desenvolvimento dos Açores. Um PSD que tem sido oposição crítica, mas responsável, que tem sido consciência e preocupado com o futuro.

Sim, Somos Diferentes!

Amanhã, pelas 20h30, Berto Cabral vai entregar-se de Corpo e Alma pela Praia.

2009/06/09

Europa (r)escaldada

Arquivado em: Democracia, Europa — Paulo Ribeiro @ 17:53

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Não ficaria bem com a minha consciência se não fizesse um post dedicado às eleições para o Parlamento Europeu, mesmo com alguns dias de atraso. Esta pequena análise será forçosamente simplificada. O espaço é demasiado curto para um tema demasiado vasto e complexo.

O resultado das eleições do passado domingo deveria constituir uma espécie de “case study” para os académicos nacionais e, particularmente, aos académicos e “opinadores” regionais. De facto, olhando para os números, duas conclusões são óbvias que quase nem valeria a pena escrevê-las: o PSD é o vencedor das eleições e a abstenção atingiu valores históricos.

No plano europeu, registou-se a vitória da social-democracia. Nos países onde os governos são de matriz socialista, os eleitores optaram por dizer NÃO, dando vitórias aos partidos social-democratas. Pelo contrário, nos países onde a governação é social-democrata, o eleitorado preferiu dar-lhes um voto de confiança demonstrando que só a social-democracia consegue minimizar os efeitos da crise.

Portugal não foi excepção. O Partido Socialista de José Sócrates sai destas eleições com uma derrota que espelha, de forma clara, a insatisfação dos portugueses com as políticas seguidas pelo Governo da República. Portugal vive um período de agitação social que nos faz lembrar as manifestações e as greves dos anos 80 que culminaram com a vitória do PSD nas Legislativas de 1985 conduzindo Cavaco Silva ao cargo de Primeiro-Ministro.

Portugal precisa de mais acção e menos marketing. De mais verdade e menos show-off.

Em relação aos Açores, a linha seguida foi a mesma da Europa e do resto do país com a agravante de ter tido há oito meses eleições regionais. Tamanha mudança no espectro político regional só pode ter uma explicação: até às eleições de Outubro de 2008 o Governo escondeu a verdade aos açorianos. Tudo parecia bem. Tudo, aparentemente, corria bem. A verdade, contudo, é bem diferente. A crise, como há muito tempo diz o PSD, já cá anda há muito tempo. Há tanto tempo que nem se falava, nem se sonhava com crises internacionais. Os açorianos perceberam-no e penalizaram o Governo socialista de Carlos César.

A vitória, essa, é dos açorianos. De todos aqueles que votaram no PSD porque acreditam que só a social-democracia é garante de progresso e desenvolvimento, tal como o fizeram os restantes europeus espalhados nesta Europa da qual somos construtores. Maria do Céu Patrão Neves e Berta Cabral foram as obreiras desta vitória. De Berta Cabral não se esperava outra coisa. De Patrão Neves só se pode esperar trabalho e dedicação. Os Açores ganharam uma excelente representante na Europa.

Outro dado regional interessante é a mudança de cor da Terceira, de Santa Maria e do Faial, ilhas tradicionalmente socialistas, mas que poderão constituir os motores da mudança anunciada.

Relativamente à abstenção, muito se tem escrito, o mesmo de sempre. Ou são as justificações de natureza técnica ou é o desinteresse dos jovens ou a apatia da população em geral. As mesmas questões eleição após eleição, debate após debate e, mais uma vez, pouca acção.

A justificação pode, no entanto, ser mais simples e passar pelo modelo de governação seguido nos últimos anos. Esta forma de governar assente na política da dependência e do controlo da sociedade civil, numa tentativa de tomar conta das pessoas ou, pior, ser dono das pessoas tem este efeito perverso: para quê votar se o dinheiro me chega a casa sem fazer nada, se a direcção da sociedade ou do clube de futebol vai ser feita no gabinete do Presidente da Câmara e o dinheiro há-de vir de qualquer lado? Para quê votar se eles é que sabem e tomam conta de nós?

2009/06/06

a morte de uma baía (mais imagens)

Arquivado em: Ambiente — Paulo Ribeiro @ 14:44

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2009/06/05

a morte de uma baía

Arquivado em: Ambiente — Paulo Ribeiro @ 12:51

O tempo de se atirar betão para cima de tudo já vai longe. Hoje procuram-se soluções sustentáveis económica e ambientalmente, anti-faraónicas, funcionais e, sobretudo, úteis. Procura-se requalificar, reconverter, reabilitar e remodelar o património edificado funcionalmente obsoleto ou fisicamente degradado. É assim que se faz nas sociedades desenvolvidas que já perceberam que os recursos são escassos e que o dinheiro, que custa a ganhar e que é um bem de todos, pode ser utilizado ao serviço das pessoas em vez de ser utilizado ao serviço do poder e da ostentação.

High Line Design HD from sha on Vimeo.

Em Nova Iorque reconverte-se no sentido de valorizar ambientalmente uma das maiores cidades do Planeta.

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No Porto Martins destrói-se uma paisagem única que fazia daquela localidade uma das mais apetecidas da Terceira. A Baía da Câmara (ou das Canas) nunca mais será a mesma. Estão a destruir o Porto Martins e o nosso património natural. A costa que outrora foi negra de pedra, deu lugar a um monstro de betão que nos envergonha a todos.

A Baía da Câmara no Porto Martins, graças à incúria das autoridades políticas (Junta de Freguesia, Câmara Municipal e Governo Regional) morreu.

2009/06/02

açorianidade

Arquivado em: Autonomia, Europa — Paulo Ribeiro @ 16:47

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Depois de celebrarmos o Dia da Autonomia com os Festejos do Espírito Santo que fazem de nós Povo único em Portugal e na Europa. O Povo Açoriano.

As conquistas dos nossos antepassados não podem ser vistas como facto consumado. Tal como a Liberdade de 1974 não pode ser tida como definitiva, a Autonomia de 1976 também o não poderá ser.

Aliás, cada vez mais a nossa Autonomia é olhada com desconfiança, fazendo cócegas e roendo os calcanhares de muitos responsáveis políticos. Somos constantemente atacados e a nossa dignidade Autonómica é correntemente colocada em causa.

Não falo, obviamente, do processo de aprovação do Estatuto. Autonomia e Estatuto são coisas diferentes. Querer fazer confundir os dois conceitos é desonesto e politicamente pouco sério. Com efeito, a própria instituição Autonómica foi usada para servir interesses partidários de luta intestina e politiqueira com o Presidente da República. Em vez da Autonomia servir para servir o Povo Açoriano, a Autonomia serviu para servir interesses alheios ao nosso Povo.

Mas o combate à nossa Autonomia não termina aqui. Somos acusados de “procurar manter em aberto e sob tensão a questão regional”, somos condenados por tentativa de “criação de um conceito de açorianidade política extraterritorial (uma nação açoriana)”, somo acusados de “não contribuir para as despesas gerais da República”, somos considerados “uma carga injustificada sobre os contribuintes do continente” e ainda nos dizem que não compreendem o “pacto de sujeição dos partidos nacionais em relação ao seus braços regionais, quando no poder, como se o ápio regional fosse essencial para as lideranças nacionais”.

Tudo citações de um mesmo homem. De um homem que, em breve, vai assumir responsabilidades na Europa. Uma Europa de Regiões, não centralista, que apoia as Autonomias e no vê como sua parte integrante. Uma Europa em que nos assumimos como seus construtores.

Quem profere, ou escreve, palavras como as citadas, não conhece a nossa realidade insular, nem os nossos problemas e muito menos o nosso valor acrescentado. Quem não quer que não exista uma “açorianidade” não conhece nem respeita as nossas especificidades culturais ou as nossas tradições. Quem não quer que se façam distinções entre açorianos, minhotos, algarvios ou madeirenses, provavelmente defenderá uma espécie de revolução cultural chinesa ao estilo maoísta.

 Quanto ao não contribuirmos para as despesas gerais da República… Este senhor deve desconhecer as questões ligadas à Zona Económica Exclusiva, à sua dimensão ou as contrapartidas da presença do contingente militar americano nas Lajes. Compreende-se… Para algumas pessoas, falar de americanos, ou é falar do Diabo ou não existem.

Quanto à sujeição dos partidos nacionais no poder aos regionais… Bem, como calculam, não estou por dentro das questões internas do PS. Mas, pelo que sei, a avaliar pelo índice de vendas de punhais, é mesmo melhor que não esteja.

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