arKipélago 2.0

2009/06/02

açorianidade

Arquivado em: Autonomia, Europa — Paulo Ribeiro @ 16:47

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Depois de celebrarmos o Dia da Autonomia com os Festejos do Espírito Santo que fazem de nós Povo único em Portugal e na Europa. O Povo Açoriano.

As conquistas dos nossos antepassados não podem ser vistas como facto consumado. Tal como a Liberdade de 1974 não pode ser tida como definitiva, a Autonomia de 1976 também o não poderá ser.

Aliás, cada vez mais a nossa Autonomia é olhada com desconfiança, fazendo cócegas e roendo os calcanhares de muitos responsáveis políticos. Somos constantemente atacados e a nossa dignidade Autonómica é correntemente colocada em causa.

Não falo, obviamente, do processo de aprovação do Estatuto. Autonomia e Estatuto são coisas diferentes. Querer fazer confundir os dois conceitos é desonesto e politicamente pouco sério. Com efeito, a própria instituição Autonómica foi usada para servir interesses partidários de luta intestina e politiqueira com o Presidente da República. Em vez da Autonomia servir para servir o Povo Açoriano, a Autonomia serviu para servir interesses alheios ao nosso Povo.

Mas o combate à nossa Autonomia não termina aqui. Somos acusados de “procurar manter em aberto e sob tensão a questão regional”, somos condenados por tentativa de “criação de um conceito de açorianidade política extraterritorial (uma nação açoriana)”, somo acusados de “não contribuir para as despesas gerais da República”, somos considerados “uma carga injustificada sobre os contribuintes do continente” e ainda nos dizem que não compreendem o “pacto de sujeição dos partidos nacionais em relação ao seus braços regionais, quando no poder, como se o ápio regional fosse essencial para as lideranças nacionais”.

Tudo citações de um mesmo homem. De um homem que, em breve, vai assumir responsabilidades na Europa. Uma Europa de Regiões, não centralista, que apoia as Autonomias e no vê como sua parte integrante. Uma Europa em que nos assumimos como seus construtores.

Quem profere, ou escreve, palavras como as citadas, não conhece a nossa realidade insular, nem os nossos problemas e muito menos o nosso valor acrescentado. Quem não quer que não exista uma “açorianidade” não conhece nem respeita as nossas especificidades culturais ou as nossas tradições. Quem não quer que se façam distinções entre açorianos, minhotos, algarvios ou madeirenses, provavelmente defenderá uma espécie de revolução cultural chinesa ao estilo maoísta.

 Quanto ao não contribuirmos para as despesas gerais da República… Este senhor deve desconhecer as questões ligadas à Zona Económica Exclusiva, à sua dimensão ou as contrapartidas da presença do contingente militar americano nas Lajes. Compreende-se… Para algumas pessoas, falar de americanos, ou é falar do Diabo ou não existem.

Quanto à sujeição dos partidos nacionais no poder aos regionais… Bem, como calculam, não estou por dentro das questões internas do PS. Mas, pelo que sei, a avaliar pelo índice de vendas de punhais, é mesmo melhor que não esteja.

2009/06/01

Autonomia 2.0

Arquivado em: Autonomia, Novas Tecnologias — Paulo Ribeiro @ 10:36

Foto de Clara Sousa

 

No dia em que se comemora a Autonomia, nada melhor do que falar do arKipélago que, há trinta e três anos, conseguiu ver consagrada em letra de Lei uma ambição centenária.

Desde então, muita coisa mudou nos Açores. Muito mudaram os açorianos.

Ao mesmo tempo que a Autonomia ia nascendo, a televisão, nos Açores, também começava a dar os primeiros passos. Muitas vezes ignorada e tantas vezes mal-amada, a RTP-Açores desempenhou o papel aglutinador que possibilitou o nascimento de uma identidade regional, o tal Povo Açoriano, em detrimento da condição de ilha isolada que, salvo raras excepções, era a situação comum e de vida da grande maioria dos habitantes do arquipélago.

A RTP-Açores, a nova tecnologia da época, uniu os Açores. Deu a conhecer os Açores a cada um dos açorianos. Permitiu ver as pessoas das outras ilhas e ouvir as diferentes pronúncias que, de Santa Maria ao Corvo, fazem destas ilhas, únicas.

Com o passar dos anos, as novas tecnologias de então deixaram de ser novidade e foram aparecendo outras. Ao longo destas três décadas muitas inovações morreram pouco tempo depois, mantendo-se a televisão como elo fundamental e poderoso, saibamos nós utilizá-la.

Contudo, o poder da televisão começa a ter forte concorrência. A internet com todas as suas ferramentas (blogues, hi5, facebook, twitter, messenger,…) tem-se revelado poderosíssima em alguns países do mundo. Todos sabemos o papel que desempenhou nas eleições americanas e a forma como difundiu informação nas eleições francesas.

Todavia, os Açores estão muito longe dessa realidade. Esta ainda não é uma ferramenta de referência na Região, mesmo com a crescente perda de terreno por parte da televisão regional como órgão informativo. Não descurando a importância dos meios do espaço virtual, a informação regional e local dissipada via net funciona em circuito fechado. Quem comenta é quem opina e pouco mais. Por exemplo, não existe ligação entre os blogues e os meios de comunicação tradicionais. Salvo raras excepções, como é o caso do Expresso das Nove, os jornais, a rádio e a própria televisão ignoram a informação por eles veiculados e as opiniões aí emitidas. Receio de concorrência? Não há razão para isso. Os blogues não fazem jornalismo, apenas emitem opinião.

Este afastamento talvez se prenda com a dificuldade em se abrirem os painéis de debate e de comentadores a pessoas que não as habituais, que não aquelas que já todos sabemos o que vão dizer. Aliás, é recorrente por esta terra amarrarmo-nos demasiado ao passado e, quando abrimos ao futuro, procuramos controlá-lo, condicioná-lo ou manipulá-lo. Bem vistas as coisas, a grande maioria das figuras públicas açorianas e colunistas dos nossos jornais diários não têm blogue e, os que o têm, raramente participam regularmente na blogosfera.

As novas tecnologias deverão ser aproveitadas para desenvolvermos uma nova fase na construção autonómica. Pelo fácil acesso, pela fácil utilização, pela rapidez que imprime aos contactos e à troca de ideias, as novas ferramentas deverão ser encaradas como eixos estruturantes e parceiras no aprofundamento da autonomia como democracia participada.

Veja-se o que fez a candidata do PSD ao Parlamento Europeu. Um pequeno gesto que nos permitiu perceber que é fácil termos todos os açorianos, independentemente da ilha onde residem, a comunicar em tempo real quase presencial.

O que seria a nossa democracia se os responsáveis políticos tivessem em permanente contacto com os cidadãos? Que respondessem às suas questões em tempo real? Que divulgassem e discutissem as suas ideias e propostas publicamente num escrutínio permanente da sociedade civil? Ficaríamos a conhecê-los melhor e acompanharíamos melhor o seu trabalho. O que seria a nossa Autonomia se todos os açorianos pudessem intervir na coisa pública sem ser exclusivamente através do voto?

O que seria a Autonomia? Melhor, certamente melhor! Não é o desígnio da Democracia? Aproveitemos e abusemos desta ferramenta.

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