
Depois de celebrarmos o Dia da Autonomia com os Festejos do Espírito Santo que fazem de nós Povo único em Portugal e na Europa. O Povo Açoriano.
As conquistas dos nossos antepassados não podem ser vistas como facto consumado. Tal como a Liberdade de 1974 não pode ser tida como definitiva, a Autonomia de 1976 também o não poderá ser.
Aliás, cada vez mais a nossa Autonomia é olhada com desconfiança, fazendo cócegas e roendo os calcanhares de muitos responsáveis políticos. Somos constantemente atacados e a nossa dignidade Autonómica é correntemente colocada em causa.
Não falo, obviamente, do processo de aprovação do Estatuto. Autonomia e Estatuto são coisas diferentes. Querer fazer confundir os dois conceitos é desonesto e politicamente pouco sério. Com efeito, a própria instituição Autonómica foi usada para servir interesses partidários de luta intestina e politiqueira com o Presidente da República. Em vez da Autonomia servir para servir o Povo Açoriano, a Autonomia serviu para servir interesses alheios ao nosso Povo.
Mas o combate à nossa Autonomia não termina aqui. Somos acusados de “procurar manter em aberto e sob tensão a questão regional”, somos condenados por tentativa de “criação de um conceito de açorianidade política extraterritorial (uma nação açoriana)”, somo acusados de “não contribuir para as despesas gerais da República”, somos considerados “uma carga injustificada sobre os contribuintes do continente” e ainda nos dizem que não compreendem o “pacto de sujeição dos partidos nacionais em relação ao seus braços regionais, quando no poder, como se o ápio regional fosse essencial para as lideranças nacionais”.
Tudo citações de um mesmo homem. De um homem que, em breve, vai assumir responsabilidades na Europa. Uma Europa de Regiões, não centralista, que apoia as Autonomias e no vê como sua parte integrante. Uma Europa em que nos assumimos como seus construtores.
Quem profere, ou escreve, palavras como as citadas, não conhece a nossa realidade insular, nem os nossos problemas e muito menos o nosso valor acrescentado. Quem não quer que não exista uma “açorianidade” não conhece nem respeita as nossas especificidades culturais ou as nossas tradições. Quem não quer que se façam distinções entre açorianos, minhotos, algarvios ou madeirenses, provavelmente defenderá uma espécie de revolução cultural chinesa ao estilo maoísta.
Quanto ao não contribuirmos para as despesas gerais da República… Este senhor deve desconhecer as questões ligadas à Zona Económica Exclusiva, à sua dimensão ou as contrapartidas da presença do contingente militar americano nas Lajes. Compreende-se… Para algumas pessoas, falar de americanos, ou é falar do Diabo ou não existem.
Quanto à sujeição dos partidos nacionais no poder aos regionais… Bem, como calculam, não estou por dentro das questões internas do PS. Mas, pelo que sei, a avaliar pelo índice de vendas de punhais, é mesmo melhor que não esteja.
