O Município da Praia da Vitória tem-se pautado por, nos últimos anos, apresentar os maiores orçamentos de sempre. Valores que, apesar da dimensão do concelho, conseguem, inclusivamente, ultrapassar os apresentados pelo concelho vizinho. Na base disto está um novo estilo de gestão – a gestão reinventada – como diria o Presidente da autarquia.
O orçamento para 2010 não é, por isso, excepção. Com uma dotação de cerca de 22 milhões de euros destinados a investimento, o concelho da Praia da Vitória vai finalmente ver concretizadas obras que há muito almeja. Para 2010 estão previstos investimentos tão importantes para o concelho como sejam a Escola da Fonte do Bastardo, os Pavilhões das Lajes, da Agualva e de São Brás, a Casa das Tias de Nemésio, o Complexo Intergeracional das Lajes, o Miradouro da Serra do Cume, o Pavilhão Desportivo do Juncal, a Requalificação do Paúl, a Avenida Marginal ou a Remodelação da Estrada 25 de Abril, isto só para citar alguns.
Esperem!! Mas isto já não foi tudo inaugurado?! Mas isto já não está tudo a funcionar?!
Então como é isto? Será que a Câmara vai fazer tudo isto de novo?
É evidente que não.
No maior orçamento de sempre que é o de 2010, estão contempladas 20 obras que já foram inauguradas e já se encontram em funcionamento. Só os exemplos apresentados totalizam 7.918.235€. Repito, só os exemplos apresentados. No entanto, se contabilizarmos todas as 20 obras concluídas, essa soma sobe para 10.606.429€, ou seja, 48,11% do valor previsto para investimento durante o próximo ano.
Isto significa que dos 22 milhões de investimento previsto, cerca de 10,5 já foram realizados. Agora, basta fazer as contas… Se 48,11% do investimento não é para investir, sobram cerca de 51%. Que é como quem diz, o maior orçamento de sempre em investimento queda-se pelos 11.439.978€!
Eu sei que não sou gestor de empresas nem economista… Não vai ser preciso repetirem-me isso. Mas todos sabemos fazer contas e temos olhos na cara para percebermos o que está ou não está construído.
Mas as faces da Câmara não se esgotam no orçamento. Esta é a Câmara das preocupações sociais. A Câmara que dá a camisa para ajudar e acudir o próximo. A Câmara que em boa hora não aumenta as taxas municipais em nome da solidariedade social e pró considerar que 2010 vai ser um ano difícil para os praienses e que, por isso, está do lado deles. Não posso estar mais de acordo!
Mas esta é também a Câmara que dá com uma mão e que tira com a outra. Na segunda-feira, dia 21, não aumenta as taxas municipais pelas razões apresentadas, mas na terça-feira, dia 22, aumenta o tarifário da água e da recolha de resíduos em 1,5%. A Câmara que levanta constantemente a bandeira do apoio social e da ajuda aos mais desfavorecidos é a mesma Câmara que em tempo de vacas magras aumenta, sob a capa da Praia Ambiente, a factura da água aos habitantes do concelho da Praia.
Em que é que ficamos?
Há ou não deflação que justifique um não aumento de taxas municipais? Pelos vistos… há!
Mas se existe uma razão para não se aumentarem as taxas – a dita deflação e a preocupação social – porque razão se aumenta a água? Será para garantir a viabilidade de uma empresa municipal? Só pode… aliás, o lucro, através das empresas municipais, justifica todos os fins.
Esta é a Câmara das duas faces. A Câmara que anuncia um orçamento como sendo o maior de sempre, mas que na realidade só vai investir metade daquele valor. É também a Câmara que num dia não aumenta taxas alegando a prioridade social, mas que no dia seguinte aumenta a água esquecendo-se por completo da sua missão social.
É dar com uma mão para tirar com a outra.


Em Abril de 2006 visitei Berlim. O muro já havia sido derrubado há muito tempo, mas as marcas desse passado de cidade dividida permaneciam presentes.
Berlim é a cidade mártir do século XX. Foi a II Guerra Mundial, o Holocausto, Hitler, o Muro e a esperança renascida a partir da sua queda.
Em 2006, Félix Rodrigues (“