Fui à feira do livro do Outono Vivo. Comprei um. Numa cidade onde não existe uma livraria, para além da do Modelo, esta é a oportunidade para se ter acesso, na cidade de Nemésio, a livros. Lamentável. Lojas de chineses com fartura. Nem consigo contabilizá-las. Livrarias, népia!

Esta feira é, por isso, uma luz de cultura no meio do marasmo cultural em que se tornou esta cidade e este concelho. A autarquia pode orgulhar-se disso. Da feira. Pena é que, de ano para ano, a sua qualidade tenha vindo a baixar e a sua dimensão seja cada vez menor.

Pena é, também, que com a realização deste evento se tenha acabado com outro, o Festival do Ramo Grande. Neste caso, a autarquia não tem de que se orgulhar, antes pelo contrário… Infelizmente, a atual gestão camarária tem tido dificuldade em perceber que, lá por ter sido iniciativa de outros, não lhe ficaria mal, antes pelo contrário, dar continuidade. Espero que o próximo presidente da Câmara, seja lá quem for, de que partido for, dê continuidade a esta iniciativa e a valorize para bem de todos.

Já agora, fica aqui uma proposta, para além de achar que se deveria fazer ressuscitar o Festival do Ramo Grande: o Outono Vivo, para além de ter uma feira do livro, poderia ter também associada uma feira do disco. A Praia, para além do Modelo, também não tem uma discoteca.

SATA pernoita nas Lajes (página 5 com chamada à primeira página)

Uma boa notícia, sem dúvida! Há muito que se reclama a pernoita de uma aeronave na Terceira. Embora a solução encontrada não seja a ideal por não garantir, todos os dias, a mobilidade aérea nos grupos central e ocidental quando, por questões climatéricas ou outras, o aeroporto de Ponta Delgada estiver encerrado, podemos dizer “menos mau”. São Pedro estará, por isso, autorizado a enviar mau tempo ou nevoeiro para São Miguel aos domingos, quintas e sextas-feiras. Caso contrário, tudo ficará como está.

Outra nota sobre esta notícia tem que ver com uma questão de justiça política, se é que ela existe. O jornal salienta o papel de Artur Lima, ainda líder do CDS-PP, na contestação à opção de concentração da frota da SATA em São Miguel. Compreendo que Artur Lima, neste momento agonizante da sua carreira política, precise de um balãozinho de oxigénio, mas gostaria, em nome da tal justiça política, de fazer também referência ao nome de Carla Bretão que, enquanto deputada, muito se bateu por esta questão. Não só em ambiente parlamentar, mas também no seio do PSD.

Lisboa deve assumir as fajãs de São Jorge (página 10)

O antigo presidente da Câmara Municipal da Calheta, Duarte Silveira, defende que Lisboa deverá assumir as obras necessárias à consolidação das fajãs de São Jorge. Devo dizer que não posso estar mais em desacordo. Pergunto: para que queremos, então, a Autonomia? Se não é para resolvermos as nossas questões, independentemente do seu âmbito, serve para quê? O que aqui falta, é definirem-se prioridades, neste caso, ambientais. Como já por diversas vezes denunciei, a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar (consta que o novo presidente vai copiar a solução de Lisboa e acabar com uma Secretaria própria para o Ambiente) não serve só para legislar e fazer aprovar planos para tudo e mais alguma coisa e depois não terem quaisquer consequências práticas. Tem que agir e estar no terreno. Intervir e prevenir. A política ambiental não se pode reduzir à construção de centros interpretativos, ecotecas e à distribuição de panfletos de tudo e mais alguma coisa que, na sua grande maioria, só servirão para alimentar os novos centros de processamento de resíduos (os que funcionam, não os anunciados). A política ambiental deve constituir um instrumento fundamental de prevenção e proteção civil. É à Região que compete resolver os problemas da Região.

Asneiras atrás de asneiras impedem prevenção eficaz (página 11)

Bem poderia aqui fazer um copy/paste do comentário anterior, mas muito mais há para dizer.

Louvável esta atitude do Diretor Regional do Ambiente ao assumir “não permitir garantir a não repetição de situações de inundações em caso de chuvadas intensas”. É de homem! De facto, ninguém pode garantir uma coisa destas. Basta ver o que tem acontecido recentemente do Estado Unidos. Mas há uma coisa que podem fazer, dar condições às autarquias para que possam proceder à manutenção e conservação de linhas de água. É ridículo o montante que se atribui às Juntas de Freguesia no âmbito dos protocolos de cooperação com a Direção Regional do Ambiente. Ainda estou à espera de uma resposta a um requerimento onde solicitava a discriminação de tais montantes por freguesia nos últimos quatro anos. Felizmente, não foi precisa uma resposta oficial porque, nessas questões, e em privado, os presidentes de Junta falam e têm muito para dizer, independentemente da sua cor política. É uma vergonha!

E maior vergonha é o facto de, nos Relatórios do Estado do Ambiente dos Açores, apresentados como sendo o resultado do árduo e responsável trabalho desta Secretaria Regional, não é feita uma única referência a esta situação. O Partido Socialista, convém que se diga, chumbou uma resolução do Partido Comunista que visava a discussão desta matéria. Mais uma vez, é uma questão de prioridades. Lamento, contudo, que o Governo só agora venha assumir a sua incapacidade para solucionar esta questão. Nesse ponto, estou tentado a concordar com Duarte Silveira. O melhor será entregar isto tudo a Lisboa já que os de cá não dão conta do recado…

Depois de ontem à noite ter presidido, pela última vez, a uma reunião da concelhia do PSD da Praia da Vitória, hoje começa uma nova etapa da minha vida. A reunião de ontem, como habitualmente, realizou-se entre amigos. Amigos que, na sua esmagadora maioria, conheci durante este meu percurso político que agora finda. Foram dezenas, diria mesmo centenas, de pessoas que conheci ao longo desta meia dúzia de anos um pouco por toda a Região, mas particularmente no concelho da Praia da Vitória. Hoje, sei, que tenho amigos em todas as freguesias do concelho e em todas as ilhas e que, sempre que por lá passar, haverá sempre alguém que me dará, pelo menos, um aceno.

Este é, por isso, o momento de agradecer a todos quantos me receberam em suas casas e me deram a mão quando eu mais precisei. Recordo perfeitamente as primeiras vezes que tive de bater à porta de muitos deles ou telefonar-lhes e todos, sem exceção, me terem acolhido, mesmo que, para eles, eu fosse um quase desconhecido. Um muito obrigado a todos!

A noite de ontem marcou o fim de uma jornada. O dia de hoje é o início de outra. Não só para mim, mas também para o PSD da Praia da Vitória. Tenho a certeza que, em pouco tempo, uma nova equipa assumirá as rédeas do Partido neste concelho, renovando-o e capaz de traçar um novo caminho de motivação que nos conduzirá a uma vitória esperada. As eleições autárquicas estão à porta. Sei o quanto é difícil e trabalhoso organizá-las. Embora esteja de saída, não morri, e pode o PSD da Praia e a nova concelhia contar comigo, dentro da minha disponibilidade, para o que entenderem ser útil.

Um bem haja a todos, bom trabalho e um muito obrigado!

 

Com um novo Presidente e uma maioria parlamentar reforçada, daqui a poucos dias os Açores assistirão ao início de uma nova Legislatura. O novo Parlamento e o novo Governo terão pela frente um desafio faraónico: aplicar na Região o memorando de entendimento assinado com o Governo da República e que prevê a aplicação, também nos Açores, de grande parte das medidas de austeridade aplicadas a nível nacional pelo Governo da República.

Pese embora o facto de o Governo Regional ter acordado com Lisboa o compromisso de dar conhecimento ao Ministério das Finanças, para efeitos de apreciação técnica, dos seus documentos previsionais e eventuais revisões, a X Legislatura será aquela em que a Autonomia deverá afirmar-se em definitivo. Para tal, terá de ter a capacidade de se repensar, de se adaptar às novas realidades e aos novos tempos e perder alguns tiques de autoritarismo e de controlo que tem vindo a ganhar à medida que as pessoas se vão instalando e que o poder se consolida.

Esta nova Legislatura deverá constituir, por isso, a oportunidade da Autonomia se afirmar como modelo de Democracia moderna em que é o Estado que serve as populações – sem ser dono delas – e não as populações a servirem o Estado. Uma Democracia onde o exercício do voto é livre em toda a sua dimensão, incluindo a liberdade e, acima de tudo, o direito de estar devidamente informado. O exercício da cidadania nos Açores é tudo menos livre, sendo que muitas vezes é condicionado por autocensura. O que leva isto? É isso que tem de ser refletido.

A “Máquina Autonómica” tornou-se gigantesca, atingindo uma dimensão maior do que o próprio arquipélago. Não há nada que se mexa nos Açores que não tenha uma mãozinha dessa “Máquina”. Tem que ser reduzida. Urgentemente reduzida. É imperioso refundar a Autonomia, não significando, com isso, que se aumentem os poderes legislativos (tomara-mos nós darmos conta dos que já temos, apesar da quantidade de gente que sobre eles trabalha), refiro-me à sua dimensão e à forma como ela se liga aos Açorianos.

Em primeiro lugar é preciso reduzir significativamente o número de titulares de cargos políticos, de gestores públicos e de cargos de nomeação política quer na administração pública regional, quer nos sectores públicos empresariais regional e local. Para além dos elevados custos de uma máquina desta dimensão, uma redução desta natureza daria uma maior transparência à Autonomia, reduzindo o seu peso e a sua influência na vida de cada uma das famílias açorianas. Seria uma forma de introduzir liberdade no sistema.

Outra área que deverá merecer a atenção do novo Parlamento é a Lei Eleitoral. Tem que se mexer naquilo… Para além de serem demasiados eleitos, existem aspetos que não fazem qualquer sentido como, por exemplo, o Círculo Regional de Compensação. A este propósito, só faço uma pergunta: alguém me sabe dizer quem eram os dois primeiros nomes da lista do partido em que votou, pelo Círculo Regional de Compensação?

Bom seria que uma necessidade de revisão da Lei da Eleitoral se ficasse por aqui. Infelizmente, há muito mais a fazer. Estive um ano na Assembleia Regional (eu sei que esta não é a designação oficial) e nesse ano deu para perceber o seguinte: embora os Açores estejam distribuídos por nove ilhas, as ilhas não estão na Assembleia. Excetuando-se, neste caso, o Corvo que, pela voz do Deputado Paulo Estevão, tem presença garantida na Casa Mãe da Autonomia.

O que existe na Horta, isso sim, são representações partidárias que fazem das agendas dos seus partidos, a agenda parlamentar fazendo com que o peso político das ilhas maiores – as que dão mais votos – se sobreponha às necessidades das restantes. Enquanto assim for, os Açores perdem e a Autonomia da igualdade e do desenvolvimento harmónico vai definhando lentamente. Se há solução? Claro que há solução. Basta, para isso, gastar algum tempo a pensar o sistema e estudar soluções já aplicadas noutros países e regiões. Um sistema parlamentar em duas câmaras, por exemplo, poderia ser a solução para os Açores. Uma das câmaras seria paritária em termos de ilhas e a outra seria a câmara dos deputados eleita no sistema de representação proporcional. É de salientar que numa das câmaras os eleitos poderiam estar em regime de não afetação, isto é, receberiam apenas senha de presença e não auferiam vencimento fixo. É só uma proposta…

O que nos espera então a próxima Legislatura por parte de cada um dos partidos?

O Partido Socialista irá continuar no seu discurso de guerrilha para com Lisboa culpando Pedro Passos Coelho por tudo o que de mal venha a ser feito nos Açores. Esta atitude beligerante durará enquanto durar o Governo em Lisboa ou até às eleições autárquicas do próximo ano. Depois disso, virão as medidas penalizadoras e o início da preparação das Regionais de 2016. À espera ficaremos da redução das passagens aéreas e da redução da dívida pública, particularmente no sector da saúde.

O Partido Social Democrata continuará meio entalado entre Lisboa e a vontade própria regional. No meu entender, deverá traçar o seu caminho e, à primeira oportunidade, deverá apresentar no Parlamento as propostas feitas durante a campanha eleitoral no que à redução de cargos políticos e de mordomias diz respeito. Há que ser consequente. Com a nova liderança, também está aberto o caminho para que se inicie uma revisão à Lei Eleitoral. Assim queira o PSD e assim tenha coragem o PS.

O Partido Popular estará fortemente fragilizado nesta Legislatura. Reduzido a uma quase Representação Parlamentar, a única forma de se fazer ouvir será continuar no registo populista e demagógico do se líder que, não se entende, ainda não pediu a demissão depois de ter perdido praticamente metade do Grupo Parlamentar e não ter conseguido eleger um único deputado na ilha mais populosa. No entanto, o CDS-PP será tentado a continuar a fazer os fretes ao PS e, com isso, aparecer uns segundos na televisão.

Quanto ao Partido Comunista Português e ao Bloco de Esquerda continuarão a ser os partidos do protesto pelo protesto. Pouco se espera deles, a não ser o fazer oposição ao Governo da República. Estes dois partidos da esquerda radical parlamentar têm dificuldade em perceber que estão nos Açores e que os Açores são uma Região Autónoma.

Relativamente ao Partido Popular Monárquico, ficarei a aguardar os textos das brilhantes intervenções de Paulo Estevão a partir da tribuna.

Serão quatro anos difíceis. Mas serão, também, quatro anos de oportunidade. A oportunidade de refazer a Autonomia e entregá-la, finalmente, aos Açorianos e não ficar propriedade de uma elite que a partir dela sobrevive. Queiram os responsáveis políticos dedicarem-se ao essencial e não perderem dias inteiros em discussões estéreis e inconsequentes sobre assuntos que se resolveriam em poucos minutos se tratados fora da mira das câmaras de televisão.

Os Açores estão à espera…