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Monthly Archives: Novembro 2012

Fui à feira do livro do Outono Vivo. Comprei um. Numa cidade onde não existe uma livraria, para além da do Modelo, esta é a oportunidade para se ter acesso, na cidade de Nemésio, a livros. Lamentável. Lojas de chineses com fartura. Nem consigo contabilizá-las. Livrarias, népia!

Esta feira é, por isso, uma luz de cultura no meio do marasmo cultural em que se tornou esta cidade e este concelho. A autarquia pode orgulhar-se disso. Da feira. Pena é que, de ano para ano, a sua qualidade tenha vindo a baixar e a sua dimensão seja cada vez menor.

Pena é, também, que com a realização deste evento se tenha acabado com outro, o Festival do Ramo Grande. Neste caso, a autarquia não tem de que se orgulhar, antes pelo contrário… Infelizmente, a atual gestão camarária tem tido dificuldade em perceber que, lá por ter sido iniciativa de outros, não lhe ficaria mal, antes pelo contrário, dar continuidade. Espero que o próximo presidente da Câmara, seja lá quem for, de que partido for, dê continuidade a esta iniciativa e a valorize para bem de todos.

Já agora, fica aqui uma proposta, para além de achar que se deveria fazer ressuscitar o Festival do Ramo Grande: o Outono Vivo, para além de ter uma feira do livro, poderia ter também associada uma feira do disco. A Praia, para além do Modelo, também não tem uma discoteca.

SATA pernoita nas Lajes (página 5 com chamada à primeira página)

Uma boa notícia, sem dúvida! Há muito que se reclama a pernoita de uma aeronave na Terceira. Embora a solução encontrada não seja a ideal por não garantir, todos os dias, a mobilidade aérea nos grupos central e ocidental quando, por questões climatéricas ou outras, o aeroporto de Ponta Delgada estiver encerrado, podemos dizer “menos mau”. São Pedro estará, por isso, autorizado a enviar mau tempo ou nevoeiro para São Miguel aos domingos, quintas e sextas-feiras. Caso contrário, tudo ficará como está.

Outra nota sobre esta notícia tem que ver com uma questão de justiça política, se é que ela existe. O jornal salienta o papel de Artur Lima, ainda líder do CDS-PP, na contestação à opção de concentração da frota da SATA em São Miguel. Compreendo que Artur Lima, neste momento agonizante da sua carreira política, precise de um balãozinho de oxigénio, mas gostaria, em nome da tal justiça política, de fazer também referência ao nome de Carla Bretão que, enquanto deputada, muito se bateu por esta questão. Não só em ambiente parlamentar, mas também no seio do PSD.

Lisboa deve assumir as fajãs de São Jorge (página 10)

O antigo presidente da Câmara Municipal da Calheta, Duarte Silveira, defende que Lisboa deverá assumir as obras necessárias à consolidação das fajãs de São Jorge. Devo dizer que não posso estar mais em desacordo. Pergunto: para que queremos, então, a Autonomia? Se não é para resolvermos as nossas questões, independentemente do seu âmbito, serve para quê? O que aqui falta, é definirem-se prioridades, neste caso, ambientais. Como já por diversas vezes denunciei, a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar (consta que o novo presidente vai copiar a solução de Lisboa e acabar com uma Secretaria própria para o Ambiente) não serve só para legislar e fazer aprovar planos para tudo e mais alguma coisa e depois não terem quaisquer consequências práticas. Tem que agir e estar no terreno. Intervir e prevenir. A política ambiental não se pode reduzir à construção de centros interpretativos, ecotecas e à distribuição de panfletos de tudo e mais alguma coisa que, na sua grande maioria, só servirão para alimentar os novos centros de processamento de resíduos (os que funcionam, não os anunciados). A política ambiental deve constituir um instrumento fundamental de prevenção e proteção civil. É à Região que compete resolver os problemas da Região.

Asneiras atrás de asneiras impedem prevenção eficaz (página 11)

Bem poderia aqui fazer um copy/paste do comentário anterior, mas muito mais há para dizer.

Louvável esta atitude do Diretor Regional do Ambiente ao assumir “não permitir garantir a não repetição de situações de inundações em caso de chuvadas intensas”. É de homem! De facto, ninguém pode garantir uma coisa destas. Basta ver o que tem acontecido recentemente do Estado Unidos. Mas há uma coisa que podem fazer, dar condições às autarquias para que possam proceder à manutenção e conservação de linhas de água. É ridículo o montante que se atribui às Juntas de Freguesia no âmbito dos protocolos de cooperação com a Direção Regional do Ambiente. Ainda estou à espera de uma resposta a um requerimento onde solicitava a discriminação de tais montantes por freguesia nos últimos quatro anos. Felizmente, não foi precisa uma resposta oficial porque, nessas questões, e em privado, os presidentes de Junta falam e têm muito para dizer, independentemente da sua cor política. É uma vergonha!

E maior vergonha é o facto de, nos Relatórios do Estado do Ambiente dos Açores, apresentados como sendo o resultado do árduo e responsável trabalho desta Secretaria Regional, não é feita uma única referência a esta situação. O Partido Socialista, convém que se diga, chumbou uma resolução do Partido Comunista que visava a discussão desta matéria. Mais uma vez, é uma questão de prioridades. Lamento, contudo, que o Governo só agora venha assumir a sua incapacidade para solucionar esta questão. Nesse ponto, estou tentado a concordar com Duarte Silveira. O melhor será entregar isto tudo a Lisboa já que os de cá não dão conta do recado…